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um pacato beijo na face

ainda me explicarão porquê
nunca me repitas que desta água
olho-te a garrafa de pedras
despejada pelo empregado
na tua mão, ainda saberei explicar-me

um dia

apaixono-me e é tudo porque amando
alguém, mesmo que sem o querer
amando alguém mesmo que
não faça mais sentido do que
senti-lo, aguardo de cada vez que
te peço (e com as mais solícitas desculpas)
que.

espanto-me porque vens sempre ter com
migo e a minha atrapalhação toda.
olho para mim a paixão recomeçando uma
antiga lição de história a minha

é apenas uma desculpa (eu
sei) um dia, espero que pelo fim
de uma tarde, dou-te um pacato beijo
na face, de adeus e tudo não foi
mais do que um infindável
sofrimento (tenho disto), só meu.

Nós somos um bando de depenados, a quem sobraram fraques

P´ra encobrir penugens a sair das crateras

P’ra encobrir as cicatrizes cutâneas dos machados de pedra das bombas de Napalm

Nós somos em mistura as emoções de todas as desgraças que causamos sem querer ou deliberadamente

Somos todo o tipo de riso e de choro

Somos isto tudo e mais o que inventamos

Mais os sonhos que conseguimos ter – mesmo sem querer, enrolados na noite dos lençóis imaginários

Somos os sonhadores

Somos aqueles que acreditam na miragem do beijo

E vivem apavorados com os degelos

Na retina de criança ficou azul cristalina a montanha a cair no mar

No meio o gelo é luminoso e a montanha um livro, que se desfolha em películas de RX

Contagem decrescente na adaptação do habitat

Onde se lavam umas e criam outras margens

Domingues Pinto, ilustração Hugo C. Pinto