Há dias em que uma folha branca ainda acorda
em mim o perfume do incenso.
As sombras das minhas palavras podem então alcançar
os céus como nenhum ouro.
Sacrifico um cordeiro branco nas cinzas
desses instantes e ofereço as vísceras ao poema.
Depois encosto-me ao derradeiro muro,
o dessas palavras despidas de anjos,
e abandono entre tijolos inúteis
alguns versos já frios.
Um poema é ainda uma porta
mas do lado de lá espreita o silêncio.

