ao antónio de lírio
poeta e homem estátua
para quem já nos tempos de coimbra
a imobilidade era o princípio do movimento
Um
vagabundo
surge a
d
e
a
m
b
u
l
a
r
pela sala.
A estátua à boca de cena está imóvel. O vagabundo pede dinheiro e cigarros às pessoas. Lentamente, com passos curtos, sobe ao palco. Observa atentamente a estátua. Apalpa-a. Avalia-lhe a robustez. Tenta alterar-lhe a posição dos braços. Cigarro ao canto da boca, olhando de vez em quando, receoso, para o público, tira uma ponta de corda de dentro da gabardina, enrola-a na mão da estátua e estende várias peças de roupa interior. Ao menor ruído ou riso da parte do público, imobiliza-se. Ata a outra ponta da corda na outra mão da estátua. Olha atentamente para o que acaba de fazer. Senta-se aos pés da estátua.



