Archives for category: joão josé cardoso

a quase totalidade dos textos publicados na liberatura cadernos, versão html, estão agora aqui republicados, no que poderemos chamar a versão blogue. é altura de passar à digitalização das edições em papel (podem esperar sentados, não é só preguiça, a tarefa é complicada), e de acordar os que foram convidados a aqui escrever, juntamente com novos convites agora espalhados.  ouviram? então acordai:

(havia vídeos melhorzinhos no youtube, mas o coral de s. domingos é muito cá de casa)

fico?

sou?

tou’

re vol

tamos.

sou aprendiz de poucas notas juntando
caixas, peças, retratos de
falecidos, procurando no tecer
da aranha decifrar o incerto, causas
e imprevidências, às vezes aprendo
a camada exterior, outras nem tanto,
mas tento, e que mais posso fazer
se a palavra tentação é o sumário do
mau aluno?

O risco. Falhar. Ter medo de falhar. Falhar por ter medo de falhar.  Portanto o risco de falhar, a representação.

A vida como uma representação. O risco de falhar na representação da vida. Não ter medo desse risco. Hesitar. A alegria por mudar de personagem. Ainda o risco de falhar mas a alegria. A euforia. A euforia pela alegria ao mudar de personagem. Depois o medo, o medo a desaparecer. Partir.

Uma nova personagem a partir a desaparecer. Ficar a ver partir. A antiga personagem a fugir para cá da nova personagem. Escolher entre a antiga personagem que desaparece e a nova que parte. Decidir ter medo de decidir, hesitar.

Afinal não era para escolher. A escolha feita e imposta. Suportar a imposição do fim. A imagem dura muito tempo. A imagem dura muito tempo e entretanto a pessoa as personagens apanham o comboio. As personagens afastando-se na pessoa dentro do comboio. Beber.

Beber é mudar de personagem. A pessoa não acreditava nesse personagem acreditava na naturalidade. A pessoa teria encontrado a sua nova personagem, de dentro para fora ou de fora para dentro? E com que naturalidade? O que é a naturalidade, onde se separa a naturalidade da influência? Leia o resto deste artigo »

se assim o desejardes, a vontade é nossa

Previsão descritiva

Previsão para Sábado, 18 de Junho de 2011

Regiões Norte e Centro:

Períodos de céu muito nu
blado, diminuindo gradual
mente de
nebulosidade.

Possibilidade de ocorrência de pre
ci
pi
ta
ção fraca nas regiões
a norte do sistema montanhoso
Monte
junto – Estrela
até ao final da manhã.
Vento em geral fraco (inferior a 20 km/h) de noro
este, soprando mode
rado (20 a 30 km/h) nas terras altas e a partir
da tarde
no litoral. Neblina
ou nevoeiro
matinal.

Gosto mais da pele

que da carne, sem espinhas.

Vamos a isso.

Coimbra B – Estação Velha, circa 1870

bastava soprares
as folhas se fosse outono
as nuvens se fossem lilases
as pétalas se fosse couro
as rodas se fossem arames
o outono se fosse uma folha
os lilases se voassem nas nuvens
o couro soltando-se em pétalas
os arames desenrolando-se
no teu sopro.

não sopraste,
ficaram nuvens de pétalas
rolando como folhas
um tornado que se afasta
e no seu centro a pele de couro
que me despe.

Photographia: A glass blower works with a blowing iron and molten glass to blow a window-glass cylinder, Pennsylvania, circa 1900.

mas pronto

ainda trocamos sms dia sim dia não

Parti em viagem, mãe. Perdoa-me. Acusações e culpa
de nada servirão. Estou perdido
está fora das minhas mãos.
Perdoa-me se não segui as tuas palavras e te desobedeci.
Acusa o nosso tempo. Agora parto e não volto. Repara que não chorei,
dos meus olhos não saíram lágrimas. Acusações e culpa serão inúteis. Estou perdido, está fora das minhas mãos. Perdoa-me se não segui os teus conselhos e te desobedeci. Culpa o nosso tempo. Não me acuses. Agora parto e não vou voltar.
Repara que não chorei,
dos meus olhos não saíram lágrimas.
Não há mais espaço para a reprovação ou censura nesta época de traição na terra do povo.
Não me sinto normal, e não estou bem. Viajo e pergunto quem conduz a viagem para esquecer.

Versão muito livre a partir de Hany Rashwan

Tarek al-Tayyib Muhammad ibn Bouazizi (Sidi Bouzid, 29 de março de 1984 –Ben Arous, 4 de janeiro de 2011), mais conhecido como Mohamed Bouazizi (em árabe: محمد البوعزيزي‎) era um vendedor de rua tunisiano cuja autoimolação no dia 17 de dezembro de 2010 foi o estopim dos protestos na Tunísia que levaram o então presidente Ben Ali a renunciar depois de 23 anos no poder.

De dedo em dedo o calor aperta o olho cabisbaixo
certo, cedo o dedo, de dedo em dedo atrás
levanto pelo canto o olho e olho
o olho que me olhava por detrás.

Empresto um leque, que nem é meu.
Abanamos a timidez do calor
para diante e para trás.

Sabes assobiar? se assobiasses
todo o calor desapareceria, juro
e de dedo em dedo tocaria no canto
do dedo pequeno da tua mão.

Depois, lânguida, a tarde de verão
deixaria que o afago regressasse ao leque
e abanaria, não sei até quando, mas o sopro acordaria…

photographia andre gill

2011-02-19-16h24m59alhur