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Isto não é simples. Tal como o outro disse aos pré-humanoides, crescei e multiplicai-vos, disse o João, escreve. Se fosse o outro, o assunto ficaria resolvido com um “o senhor desculpe, mas o senhor não existe. Tomando esta ilação como um postulado, a única conclusão válida é que o seu mandamento é também inexistente. Em síntese, não faço coisíssima nenhuma isso do crescimento e da multiplicação”.
O João existe. E eu, embora tenha sido mulher de pré-humanoide, não sou pré-humanoide, e não obedeço a mandamentos que não existem. Conclusão: escrevo, e seja o que deus quiser.
Só para fazer chorar o passante, devo verificar a sintaxe de um sexto das frases e a ortografia de um quinto das palavras. Não é por vingança do fulano do “crescei e multiplicai-vos”, que hipotéticamente me teria pespegado com uma dislexia atrapalhante, não! Foi a vozinha do “espalhai-vos pela terra e ide ocupar outras terras” e a outra vozinha do “sai de casa da tua mãe rapariga e mete tantos quilómetros quantos puderes entre ti e onde nasceste”.
Acordo numa língua, trabalho em duas, penso em outra, é uma sopa de restos onde todos os sabores estão confundidos e só o sal se degusta. Como “a minha terra é embalada docemente pela doce brisa que vem do mar”, vai pelo sal.
Belogues são coisa nova para mim no lugar do que escreve. Poderia ser isto uma oportunidade para praticar a língua, já que não pratico a pátria. A contrariedade é que não sou comentadora, a não ser do que observo com os meus óculos. A crítica aos governos parece-me um exercício de reflexão demasiado laborioso. Também não sou poeta. Ponto.
Posso também escrever noutra língua?
F.M.