mão áspera a passar os dias a limpo
como sorvendo manhãs de chuva
mordendo amiúde a lição das ondas
desprecisar
é um exercício de linguagem. o que sobra
transposição das ravinas que seguram o voo das aves
com um pescoço de soslaio fazia dos dias cal e das tábuas paredes. tudo cabia nelas. até o primeiro segundo. adormeceu depois aos som quente das figueiras.
tomava como certa a água cheia. uma atitude eficaz. engavetava as trovoadas com precisão. depois ao terceiro dia minimizava o impacto das janelas nas cores e esperava.
à porta da lama abrem-se os pulsos. abnegados
tornos que accionam a combustão. como se fogo e vento
fossem a mesma faúlha. como se
os justos sucumbissem ao mosto
das noites. safra esplêndida e mortal.
cerram-se os dentes. depois as pálpebras.
sofreguidão. depois
continuamos o ornamento do território.

desfolhava o manual para picadeiros. obstinada contrição. com vento de purgas colectivas abria as mãos para buscar. com manhas escolásticas o seu olhar redigia.
era muito feliz. quando não sorria morria mais uma vez. voltava-se tenramente para as ramagens e engolia em seco para poupar no sonho. ao quarto diapasão afinava.
depois quando se tratava de um mero exercício de alçapões era sincera a degustação. a meio da tarde cuidava das flores. a meio da frase das dores.