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Polegário era o peneirento parolo da paróquia que pacoviamente petiscava pataniscas em permanente paranóia e em perfeita parceria com profusa percentagem da patusca e petulante parvónia da pindérica província. Parecia predestinado para a proverbial pobreza, e a perturbante peçonha que o passeava só o provava. Pardacento, poeirento (3), o pobre patego parecia procurar a própria psicose que precipita a personalidade na pretensa plenitude da paz podre. Previsivelmente, a pancada provinha de um passado perturbado, e prometia o paquiderme a puta de uma parafilia perene, que pene!, perdão, que pena! Porra para o pancas (1), porra, pim!(2)

(3) Peixoto, pára, por pavor!

(1) pasme-se: é perfeitamente perceptível que Pancas é o patético personagem P. Panqueca
padecendo de pirosa pancada!

(2) poderíamos permitir-nos polvilhar prudentemente o Pancas com pertinentes pozinhos de
perlimpimpim?!

Pereira no seu pior? Pois, paciência, pá! Pfff…

ei-lo feito de árvore, erguido a um nome
crescente. a noite dos caminhos diz
- acende em mim a lâmpada, começa
a ser eterno, adita-me o teu rosto aonde voo. no
princípio, ouves a dor bulir os ramos, compreendes
para a conversa seguinte o diálogo
confuso de um rio no teu corpo.

fotografia de Miguel Manso

MORO NUMA     CASA DE C     ARTÃO MOR     O NUMA CA     SA DE PLA
TEX NÃO T     ENHO ÁGUA     MAS TENHO     SABÃO NÃO     TENHO LUZ
MAS TENHO     LAMPIÃO M     ORO NUMA      CASA DE L     ATÃO MORO

NUMA CASA     DE PLATEX     NÃO TENHO     RETRETE N     EM  TENHO
KLEENEX N     ÃO  TENHO     CARPETE N     EM TENHO      KARPEX MO
RO NUMA C     ASA DE CA     RTÃO MORO     NUMA CASA     DE PLATEX

NÃO GOSTO     DA ESCOLA     SÓ GOSTO      DE COLA O     PAI  QUER
A PINGA E     EU A SERI     NGA MORO      NUMA CASA     DE  LATÃO
MORO NUMA     CASA DE P     LATEX NÃO     TENHO TRA     BALHO MAS

TENHO CAR     ALHO  NÃO     ANDO NU E     TENHO BOM     CU MORO N
UMA  CASA     DE CARTÃO     MORO NUMA     CASA DE P     LATEX TEN
HO CONA E     TENHO DUR     EX COMIGO     É  SEGURO     E RAPIDEX

MORO NUMA     CASA DE L     ATÃO MORO     NUMA CASA     DE PLATEX
MAS  ISTO     VAI MUDAR

Há dias em que uma folha branca ainda acorda
em mim o perfume do incenso.
As sombras das minhas palavras podem então alcançar
os céus como nenhum ouro.
Sacrifico um cordeiro branco nas cinzas
desses instantes e ofereço as vísceras ao poema.
Depois encosto-me ao derradeiro muro,
o dessas palavras despidas de anjos,
e abandono entre tijolos inúteis
alguns versos já frios.
Um poema é ainda uma porta
mas do lado de lá espreita o silêncio.

meu avião a arder nesta muralha de olhos de coral
meu precipício transtornado de papoilas loucas
minha onda pregada no céu pela mão da própria sombra
meu cobertor de espelhos ruivos
minha chuva de espuma preta
meu sepulcro rebentado
minha uva de turquesa
meu fruto colisão fantasmagórica
minha papila de míscaro
meu reflexo no teu reflexo gelado
perdido numa exposição de roupa branca
ainda rodeada por múmias
amo-te  ( hoje )

Gritas e não gritas a longa lâmina que rasga
e da clara treva sabes e não sabes.
Querias ser só ausência,
sem beco nem corpo, apenas flor,
ou a sensação clara de respirar leve como uma praia.
Querias ser só ausência,
sem beco nem corpo apenas flor,
e és destino e bruma do destino
à espera em frente a um lago que desconheces.
Caminhas triste na lâmina e falas da clara treva
dos porquês sem fim e de uma velha rosa murcha.

(Chora assim o cisne queimado
pela cega marcha do tempo).

Eu sou o monstro a estudar para fantasma
Eu sou a distância ao prazer, neve gelada
A solidão é a barca a bordo do D. Henriqueta

A maldição é a resposta às minhas dúvidas
A freira exorcista, sacerdotiza do bem inimiga
Ponho-os todos a cozr no meu velho calderião
A vida já somente falsa e o tempo infinito

Encho os pulmões de fôlego e rebento a lua
Sou horizonte lunar lua intrasponível
Cometa rasante espaço em múltipla colisão

Sou a noite centenária e o dia inexistente
Toda a força do deserto e dos oceanos
Que por alma tão penada sopra o vento

Jorge Caixote

Eu sou morte lenta aquele que rebenta
Armo-me aos cucos em mãos escuras
Sou virginal e sou o prazer natural
Sou animal vegetal um cru rabanete

Mulheres mil no passeio um desejo
Herói popular ladrão fascista militar
Patrão de indústria reactivo popular
Humanos não atacar apenas apreciar

Sou a génese da nova conduta
aquela que não existe a do vegetal
A um só olhar afirmado animal

O alamute de um novo vinho
E apenas sonhar o poema da carne
O dilema o conflito a depressão

Jorge Caixote

Mudar é continuar, não mudar é impossível. Quem não acredita na naturalidade das mudanças não se olha no espelho e pensa que a mesma água passa mais do que uma vez por baixo da mesma ponte.

Cada momento tudo muda. Tudo renasce com a velocidade com que o tempo foi embalado com o primeiro dos impulsos. Cada mudança é a vida no seu movimento.

Mudar de pele. Mudar de opinião. Mudar de carro. Mudar de companhia. Mudar de religião. Mudar de sítio. Mudar de clube. Mudar de médico. Mudar de casa. Mudar de roupa. Mudar de aspecto. Mudar de atitude. Mudar de partido. Mudar de direcção. Mudar de posição. Mudar de ares. Mudar de disposição. Mudar de comida. Mudar de bebida. Mudar de carruagem. Mudar de sentido. Mudar de planos. Mudar de objectivos. Mudar de desejos. Mudar de caminho. Mudar de emprego. Mudar de profissão. Mudar de nacionalidade. Mudar de relógio. Mudar de tempo. Mudar de percepção. Mudar de história. Mudar de página. Mudar de gosto. Mudar de solução. Mudar de problema. Mudar de país. Mudar de hábitos. Mudar de rotina. Mudar de sonhos. Mudar de vicios. Mudar de prazer. Mudar de andar. Mudar de sexo. Mudar de coração. Mudar de namoro. Mudar de crença. Mudar de mensagem. Mudar de linha. Mudar de rua. Mudar de ordem. Mudar de propriedade. Mudar de sociedade. Mudar de ânimo. Leia o resto deste artigo »