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sentado em romagem ao túmulo da minha
amante desconhecida depois de ter olhado
as marcas de d.fuas na rocha
três, não, dois pares de vultos na praia em
jogo de areia esta fotografia digo filmagem
muito aérea e depois digo

para quê? porquê? como foi? pouco recordo
apenas uma fuga de automóveis ordens para
disparar, o tempo do mar salgado no
verão do acne, a fertilidade das mulheres
entretidas em troca de amabilidades
numa reunião de condóminos. deitado

em romagem ao
túmulo que há-de ser meu algures a meio caminho
de meio caminho do caminho onde ou aonde gostaria de
chegar. portanto

um pacato beijo na face

ainda me explicarão porquê
nunca me repitas que desta água
olho-te a garrafa de pedras
despejada pelo empregado
na tua mão, ainda saberei explicar-me

um dia

apaixono-me e é tudo porque amando
alguém, mesmo que sem o querer
amando alguém mesmo que
não faça mais sentido do que
senti-lo, aguardo de cada vez que
te peço (e com as mais solícitas desculpas)
que.

espanto-me porque vens sempre ter com
migo e a minha atrapalhação toda.
olho para mim a paixão recomeçando uma
antiga lição de história a minha

é apenas uma desculpa (eu
sei) um dia, espero que pelo fim
de uma tarde, dou-te um pacato beijo
na face, de adeus e tudo não foi
mais do que um infindável
sofrimento (tenho disto), só meu.

avé maria cheia de graça

avé maria cheia de graça o senhor curta bem convosco

os nossos dias sejam sãos
e muitos – cada vez maior a sede de sentir

era um sono meio in-
completo faltavam tu-
lipas mas era o tempo futuro onde
me seria dado habitar. os humanos
transportavam uma arquitectura
muito cheia de relíquias. os humanos
eram tudo o que tinham aprendido
a ser. aproximavam-se dos seus deuses interiores
embora a perfeição não fosse um lema e se buscasse
uma feição ainda mais perfeita
à imitação do pretérito das folhas
e das árvores.
era um sonho in-
completo faltavas
tu. li pas-
sos assim em livros antigos
o que é a contemporaneidade mais que o en-
velhecimento da antiguidade?
era um sonoleio im-
bricado. torci-me todo
na cama sem lençóis sem cama
sem ti estando ali, tu
a meu lado. a sabedoria
torna-se improvável nestas
circunstâncias e teria sido bem melhor
desertar, meio a dormir, a boca remoendo
e sabendo a tulipas
negras lendo os teus passos.

Os duendes de estatísticas do WordPress.com prepararam um relatório para o ano de 2011 deste blog.

Aqui está um excerto:

Um comboio do metropolitano de Nova Iorque transporta 1.200 pessoas. Este blog foi visitado cerca de 5.800 vezes em 2011. Se fosse um comboio, eram precisas 5 viagens para que toda gente o visitasse.

Clique aqui para ver o relatório completo

da fot0nela entretanto baNALIzada

minero-asturiano-situationn

nada como foder com um minero asturiano
!esos sé que son hombres!

este tudo começou assim

vê a dimensão das coisas
o espaço entre elas,
a voz que lhes assiste.

as coisas têm voz, paz.
a outras vozes chegam e
mexem nas coisas. as coisas

não têm voz. nem
a paz que lhes assiste.

retro versões

quando crescer quero ser puto e jogar às escondidas com o umbigo ela olhando o tecto da sua casa, a esta hora já deveríamos estar na rua fugindo do outono a estação onde nunca param os comboios felizes onde há bar aberto e cerveja pouco fresca acontece que a desenvoltura das coisas chora as lágrimas burocraticamente ainda não me acredito nisto, depois se verá, aliás o outono é uma antevisão de climas menos temperados choraria a primavera assim não sei desejo-te um verão quente e gonçalvista numa adolescência feroz talvez então conversássemos no mesmo bilinguismo opaco mas claro dizendo que oui oui non non talvez peut-être trouver la façon le rencontre,

ora destas retroversões venho reprovado
desde o ensino mais básico.

temos para já isto em comum: podemos
passear mutuamente a solidão. seguro as nozes
entre os dedos partes num sussurro chegam
os pedreiros a fio de prumo uma equação impenetrável
atrás da janela um barco adiando o seu adeus. assim
se erguem os ladris quando regressares amanhã
uma frase adormecerá no sofá – sim, até porque
ele é um bom estratega – disseste, ficarei sentado
com o copo na mão olhando o jardim e verificando
a três um jogo de dois. esbate-se o som do ferro
sobre a pedra. pela tua janela risco definitivamente
a folha de papel fabricando barcos lagos cisnes
velhos morrendo pelos bancos e um puto a
reconstruir remoinhos
a partir do dedo. podia gozar com a tua frase
ou deitá-la ao tanque, os cisnes abrindo e fechando
o bico, muito rapidamente. de qualquer forma
ele nem sequer é um bom estratega, o barco
afunda-se rapidamente. despedir reaparecer
desaparecer despir depois de adormecer. amanhã
os pedreiros regressarão ao seu caos de cimento
desalinhando em toda a parte vestígios

de um jogo a dois três ou mesmo dois.

Sete homens foram presos
quando pela noite
os cabelos puxavam
a uma rapariga.

Algures na cidade
eles só buscavam
o dia sumido.
“Olha ali o sol”

- dissera um
na solidão do Metro. Era
uma cabeça loira

- e mal os raios tocaram acesos
ali se prenderam
e foram presos.

poema de Pedro Alvim, imagem O Eco de Paul Delvaux, roubado de um recorte de jornal, aposto que do Diário de Lisboa.

és capaz de filmar o meu sofrimento?

Abbas Kiarostami - CloseUp
és gajo para me fotografares a alma e levá-la? consegues assobiar a minha dor? fazes um cinema do meu sofrimento? atreves-te?

e capaz foi.

pobres dos rios que se quedam
nos postais ilustrados, tristes os amores
que não percebem de nevoeiros
nas margens dos rios onde sonham a
selvajaria que já não têm. canalizados

eu e  mondik nos deixamos descair para a foz
passando todos os dias por um montemaior saudando
ao longe, castelo da minha areia em maré alta
nuvem da minha maré baixa
desaguando porque sim e porque não.

os rios ganharam o beneplácito de possuir
as águas que sabem que lhes vão tirar.
esse tal meu sonho era o de ser ribeirito
mordiscar teus pés uma qualquer vez que fosse
por suas margens.
sabendo-me pequenino ponto de água a engrossar
perdido entre tantos litros condenado
a chegar a uma foz que não terá
o teu nome (dava-to já) nem
mesmo passeante encontrarás
em tantas águas aquele bocadinho onde ali
por ti me desfiz mondik.