
Nós somos um bando de depenados, a quem sobraram fraques
P´ra encobrir penugens a sair das crateras
P’ra encobrir as cicatrizes cutâneas dos machados de pedra das bombas de Napalm
Nós somos em mistura as emoções de todas as desgraças que causamos sem querer ou deliberadamente
Somos todo o tipo de riso e de choro
Somos isto tudo e mais o que inventamos
Mais os sonhos que conseguimos ter – mesmo sem querer, enrolados na noite dos lençóis imaginários
Somos os sonhadores
Somos aqueles que acreditam na miragem do beijo
E vivem apavorados com os degelos
Na retina de criança ficou azul cristalina a montanha a cair no mar
No meio o gelo é luminoso e a montanha um livro, que se desfolha em películas de RX
Contagem decrescente na adaptação do habitat
Onde se lavam umas e criam outras margens
Domingues Pinto, ilustração Hugo C. Pinto